Assumir a dependência custa ao SNS espanhol 1.500 milhões

O SNS atende doentes com pluripatologia e dependência que com um desenvolvimento eficaz da Lei da Dependência e um bom sistema de derivação poderiam ser atendidos com recursos alternativos sócio-sanitários, o que corresponderia a uma poupança de 1.500 milhões de euros para o sistema.


A inexistência de uma verdadeira política sócio-sanitária traduz-se na escassez dos recursos adequados para os doentes idosos com múltiplas patologias e dependência, que por sua vez origina um uso inadequado de recursos de saúde de elevado custo, como são os hospitais de agudos.


A Antares Consulting publicou ontem um novo relatório que quantifica em termos económicos o que já tinha denunciado em Abril passado no estudo “Claves para la construcción del espacio sociosanitario en españa”, onde referia que o Sistema Nacional de Saúde (SNS) não aproveita 5.281 camas que estão ocupadas por doentes dependentes que poderiam beneficiar de outro tipo de serviço (ver Diário Médico de 8-IV-2010).


No documento ¿Por qué el sistema de salud necesita la coordinación sociosanitaria? o impacto do uso inadequado dos serviços hospitalares de agudos e dos serviços de cuidados primários na saúde avança com novos números: "Poderiam evitar-se mais de 1.638.000 dias de internamento anuais nos hospitais de agudos,  relativos a cuidados a doentes crónicos com pluripatologia e dependência. Com um custo médio de internamento em hospitais de agudos de 657 euros por dia, o valor dos dias de internamento ascende a mais de mil milhões de euros (1.076.459.340)".


Aos internamentos hospitalares inadequados junta-se ainda uma hiper-frequência nas consultas dos cuidados primários, que representa "um gasto de 452.089.198, quase 500 milhões de euros que poderiam ser evitados se os doentes crónicos fossem atendidos com outro modelo que permitisse diminuir as mais de oito visitas por doente/ano que realizam as pessoas idosas ".


Dito de outra forma: "Estamos dedicando a hiper-frequência do sistema ao equivalente a toda a actividade de 326 centros de saúde; isto é, um volume de actividade superior à de todos os centros de saúde de Madrid (297) e muito próxima aos da Catalunha (395)". Segundo Esteban Carrillo, um dos autores do estudo, "os dados mostram a importância de desenvolver uma rede de recursos alternativos ao internamento de agudos (hospitais de media e longa duração, centros sócio-sanitários, hospitais de dia, programas de internamento e cuidados ao domicílio...) que permitiria contenções de custo".


Na sua opinião, "o primeiro interessado em que haja uma reorganização dos serviços é o sector sócio-sanitáio, na medida em que poderia obter eficiências internas que conduziriam a uma melhor adequação da utilização dos serviços de saúde". Em suma, "pretendemos quantificar o impacto mínimo no sistema de saúde pelo efeito de não dispor de um espaço sócio-sanitário, porque há uma série de recursos ocultos que dependem de outra organização".


Num contexto de crise como o actual "corre-se o risco de fazer cortes de forma indiscriminada, quando se distribuíssemos os serviços de outra forma poderíamos conseguir uma poupança significativa", conclui Carrillo. Inclusivamente, "a procura dos famosos 10 minutos por consulta deixaria de fazer sentido, pois pouparíamos visitas e portanto os médicos teriam mais tempo por visita".

 


Fonte: Diario Médico

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