Repensar o modelo assistencial, uma outra resposta à crise



Descrição



A publicação Medical Economics publicou em Janeiro de 2012, uma edição especial, na qual os membros do comité de redacção realizam um artigo para assinalar os temas mais relevantes a enfrentar pelo sistema de saúde.

 

Eduard Portella, Presidente da Antares Consulting deu o seu contributo:

 

A actual estrutura dos sistemas de saúde é um dos avanços sociais mais significativos e mais apreciadas pelos cidadãos. O seu êxito pode-se resumir a um dado notável: desde 1960 que em cada dia se aumenta a nossa esperança de vida em 5 horas.


Entre outras coisas, este êxito deve-se ao espectacular progresso no conhecimento e dos avanços técnico-científico, desenvolvimento que tem sido favorecido pela constante especialização. No entanto, por sua vez, esta especialização tem gerado uma excessiva fragmentação dos serviços… já que o critério organizativo primordial no sistema de saúde é a área do conhecimento, a “especialidade”. E deste modo temos passado de estruturar as organizações segundo os sistemas,  aos órgãos, dos órgãos às doenças ou ao desempenho técnico… cada vez com critérios mais micro..


Paralelamente o perfil sócio-demográfico e epidemiológico da população tem mudado significativamente: envelhecimento, perda de autonomia pessoal, cronicidade, etc. E este novo perfil requer uma assistência integral e com maior enfoque na prevenção. Hoje, este desajuste entre as necessidades e os critérios organizativos cria disfunções que se traduzem numa utilização desajustada dos recursos, de uns recursos e umas actividades que nem sempre estão pensadas para este novo perfil da população.


Estas condições de maior cronicidade e dependência são hoje uma das causas que mais têm impacto no custo dos serviços assistenciais: uma pequena parte dos doentes são responsáveis pela maior parte da utilização dos recursos. Actualmente enfrentamos a necessidade de mudar de paradigma no nosso modelo assistencial. Mas não é o único desafio: não podemos desprezar o modelo assistencial que nos levou tão longe para agora substituí-lo por outro; o verdadeiro desafio é compatibilizar la existência de ambos os modelos organizativos..


Num contexto de crise económica provocada pela crise financeira estão-se a adoptar medidas a curto plazo; e nem sempre são promovidas propostas que se traduzam numa transformação do modelo assistencial. Neste contexto tão delicado não nos devemos esquecer de enfrentamos duas crises: a crise económica e a do modelo assistencial. Que as medidas para resolver uma crise não nos impedem de levar a cabo as reformas necessária para enfrentar a outra!

 

En: Medical Economics, 27/01/2012



Autores


Eduard Portella



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